RUA Maj. FACUNDO - PRAÇA DO FERREIRA
Estamos
no canto sudoeste da praça do Ferreira, onde a Rua Major Facundo se encontra
com a Rua Pedro Borges, ou melhor, onde nasce a Rua Pedro Borges. A foto antiga
data de 1931, a intermediária é de 1980 e outra é atual.
O primeiro prédio da direita é o da Farmácia Oswaldo Cruz que ainda hoje está no mesmo local. Em seguida vemos, na foto antiga, a "Photo Ribeiro" após, a "Óptica Moderna" e ainda o Cine Moderno (ver a marquise em forma de meia cúpula). Vemos também o bonde da linha "Via Férrea" lotado de estudantes do Liceu do Ceará, que na época ficava na praça dos Voluntários, em prédio no local hoje ocupado pelo edifício da Secretaria de Segurança. Notem que todas as pessoas presentes na foto trazem chapéu na cabeça, desde os estudantes no bonde até as crianças que trafegam pela calçada. Logo após o cine Moderno ficava "A Cristal", sorveteria.
Depois
funcionaram no mesmo local alguns estabelecimentos que não mais existem,
como o pega-pinto do Mundico, a Foto Salles, que hoje está na rua Barão
do Rio Branco; o Armarinho Orion, as Lojas de Variedades, uma loja da Fortaleza
Gás Butano, e mais recentemente tivemos ali a loja Samasa.
Hoje
permanece a farmácia Oswaldo Cruz, seguida da "Milano", uma
casa de bingos e "A Esquisita". Ao longe, vemos o edifício
"Arara", do INAMPS, e por trás dele, o Edifício Butano.
O formato da calçada já é outro, com uma curva avançando
para a praça, desde que o trânsito de carros deixou a Rua Major
Facundo na praça. Tanto na foto intermediária como na atual o
asfalto substituiu o calçamento; os trilhos e fios dos bondes já
não existem; o poste de concreto está no lugar do combustor e
a sinalização do trânsito se faz presente nos postes e no
asfalto, além da poluição visual que impera hoje na cidade,
sem falar na sonora que ali é patente, inclusive com um serviço
de alto-falantes denominado "FM Centro", autorizado pela Prefeitura
Municipal de Fortaleza contrariando seu próprio Código de Obras
e Posturas.
RUA DO MAJOR FACUNDO
Estamos
no primeiro quarteirão da rua Major Facundo, em duas fotos que distam
nada menos de 108 anos. A foto antiga é de 1893 e foi feita para a Exposição
de Chicago naquele ano, a outra é atual. A casa em primeiro plano do
lado esquerdo era da família dos Mississipis, assim chamados por relação
com navios à época da Guerra da Secessão nos EUA, com as
janelinhas quadradas do sótão e os famosos "jacarés"
para descida d'água. Foi remodelada por João Sabóia Barbosa
em 1927. É a única casa do lado esquerdo que ainda existe embora
bastante modificada, todo o restante foi demolido. O prédio em primeiro
plano do lado direito era o sobrado que abrigava o "Hotel de France"
e que depois foi reformado, crescendo tanto pela rua Major Facundo como pela
João Moreira, além de ganhar mais um pavimento. Lá esteve
por muitos anos o "Pálace Hotel" de Efrem Gondim e hoje está
a Associação Comercial do Ceará.
Na foto de 1893 as calçadas são irregulares e a rua é pavimentada de pedras toscas. Pela rua estão carroças puxadas por animais, pessoas, porcos, etc. Dos dois lados da rua, combustores de iluminação pública a gás carbônico. Distante vemos o velho sobrado do Barão de Iblapaba, que ficava na esquina com a rua Senador Alencar e que ruiu durante um dos invernos da década de sessenta. Bem distante vemos a copa de uma grande árvore que deve ficar na praça do Ferreira, onde divisamos o oitão do sobrado do comendador Machado que foi substituído pelo Excelsior Hotel.
A
fotografia atual traz o antigo prédio dos Mississipis todo alterado,
com portas largas, restando apenas as pequenas janelas do sótão
para identificar, hoje ocupado por um bar de terceira categoria e um motel;
o prédio do lado direito, antes ocupado pelo Hotel de France, que tinha
dois andares e foi reformado para abrigar o Palace Hotel de Efrem Gondim, hoje
tem três andares e é ocupado pala Associação Comercial
(pelo menos é o que nos diz o letreiro na fachada). Ao longe, prédios
novos, principalmente edifícios altos já próximos à
Praça do Ferreira, como o Edifício Ventura, Edifício Oriente,
Edifício Salim, Edifício J. Lopes, Edifício Banespa, Edifício
Jangada, Edifício América, Edifício Jereissati (hotel Savanah),
Excelsior Hotel, o São Luiz, etc., Esta rua Major Facundo já foi
rua Nova Dei Rei, da Palma e do Major Facundo, mas chegou a ser chamada de Rua
do Fogo. O asfalto substitui a antiga pavimentação a pedras apiloadas,
as calçadas receberam uniformidade e os fios e postes completam a diferença
de época.
RUA MAJOR FACUNDO ESQUINA COM RUA SENADOR ALENCAR
A
foto antiga é do final da década de 30, quando a moda em Fortaleza
exigia uso do branco, a presença do chapéu e do guarda-chuva ou
guarda-sol. Estamos em plena Rua Major Facundo, esquina com Rua Senador Alencar,
olhando para o lado do sertão. Em primeiríssimo plano, uma esquina
de calçada com dois postes, um de ferro, da "Líght"
e outro da "Ceará Gás" ou seja, um combustor a gás
carbônico. Nota-se que apesar da presença do combustor, já
existia a iluminação elétrica, pois vemos uma lâmpada
incandescente no alto do poste.
Vemos a Farmácia Francesa e logo em seguida seu Consultório Médico. Seguem-se outras lojas, o edifício J. Lopes e, à distância, o Excelsior Hotel e o Majestic Palace.
Do
lado esquerdo, a presença de um automóvel europeu, parece que
um Anglia ou Prefect. Mais adiante, um Citroen ou DKW'. Atravessa a rua uma
faixa alternada de anúncio da Casa Nova e, mais adiante, da exportadora
de Tecidos Ltda. A rua ainda era pavimentada de concreto e a arborização
ainda estava crescendo. Pés de "ficus benjamin" enfeitavam
ciliarmente a rua.
A foto intermediária, da década de 1980, mostra o Edifício J. Lopes já muito sujo, os prédios antigos já reformados, modificados ou reconstruídos. É realmente uma transição entre a foto antiga e a atual.
A
foto atual mostra o mesmo trecho já bem diferente após 60 anos.
O asfalto hoje cobre o concreto da pavimentação; os tapumes de
alumínio ou madeira cobrem as antigas fachadas; prédios novos
substituem os antigos enquanto outros antigos permanecem; a posteação
hoje é de concreto-armado e a iluminação pública
é à base de vapor de mercúrio.
O edifício J. Lopes continua no local, mas à distância, além do Excelsior Hotel, vemos não mais o Majestic Palace, mas o Edifício São Luiz e o Edifício "Arára" (do INPS).
Na esquina, no lugar da Farmácia Francesa, o Restaurante e Lanchonete
Alteza.
RUA MAJOR FACUNDO PRÓXIMO À ESQUINA COM RUA
SENADOR ALENCAR
A
foto antiga data de aproximadamente 1915 e mostra a firma Francisco Lima seguida
da "Estrela do Oriente", e a Farmácia Francesa com seu Consultório
Médico. Do outro lado da rua, o velho sobrado pertencente ao Barão
de Iblapaba (ver texto 58), que se chamava Joaquim da Cunha Freire, comerciante
de grande fortuna que se entregou à política chegando à
vice-presidente da província por várias vezes. Nasceu em 1827
e faleceu em 1907.
Na foto da quieta Fortaleza de então, vemos algumas pessoas transitando pela rua, um carro de mão, uma barrica, um combustor de iluminação pública a gás hydrogeno-carbonado. Chamamos a atenção do leitor para os "jacarés" de descida d'água nas fachadas e pedimos também a sua atenção para os quatro losangos que encimam o prédio do Consultório Médico da Farmácia Francesa.
A segunda foto mostra algumas das firmas que ali estiveram por volta de 1986, como a Casa Aguiar, A Ferragista, o Banco do Estado do Rio de Janeiro - Banerj e a Casa Sancho, seguida, atravessando-se a rua, de terreno onde ficava o sobrado do Barão de Ibiapaba, que ruiu durante um rigoroso inverno. Notar os quatro losangos presentes na primeira foto.
Antes
da foto atual e depois da mais antiga, ali estiveram muitas firmas como a Casa
Cisne, Casa Aporto, Ferragens Silva, Armazém Caxias, Banco Industrial
e Comercial Sociedade Anônima - BIC, etc. Do outro lado da rua, no velho
sobrado, funcionaram no térreo o Cartório Pergentino e nos altos
a Pensão América.
A foto atual também guarda uma enorme quietude, mas é que foi colhida num domingo, única maneira de se conseguir hoje em dia colher-se algumas fotos do centro tão conturbado de nossa cidade. Da foto anterior só existe, na atual, quatro losangos que existiam na parte superior da fachada do Consultório Médico da Farmácia Francesa. Está hoje em cima da "Casa Fátima". No lugar das antigas firmas hoje estão a Casa da Bordadeira, a Casa Fátima, algumas casas fechadas e na esquina o Restaurante e Lanchonete Alteza. Do outro lado da rua, onde foi o sobrado do Barão de Ibiapaba, um prédio novo com uma grande agência do Banco Brasileiro de Descontos - Bradesco.
No
lugar do combustor, um poste de concreto; em vez do calçamento, o asfalto;
em vez da canalização embutida do gás carbônico,
a fiação de alta-tensão da Coelce, no lugar dos letreiros
ou pequenas placas indicativas das lojas, grandes marquises com imensos letreiros
e propagandas que fazem parte da poluição visual de nossa cidade.
PRAÇA DO FERREIRA - MAJOR FACUNDO
foto é de 1936 e pela Rua Major Facundo vemos, por trás do bonde
elétrico, a Casa Almeida, o edifício Majestic que tinha um bar,
a Farmácia Pasteur, os escritórios de Luiz Severiano Ribeiro,
o "Polytheama", o Menescal e na esquina, A Pernambucana. Em frente,
o passeio, onde ficavam estacionados os ônibus, os carros de aluguel e
onde havia os bancos de duas faces entre árvores e combustores de iluminação
a gás. Depois, a praça propriamente dita.
Para
os que nunca viram, o veículo que vemos à esquerda na foto é
um bonde elétrico, este fazendo a linha. "Via Férrea".
Todos os bondes faziam ponto na Praça do Ferreira, com algumas poucas
exceções.
Existiram pontos de bondes no primeiro quarteirão da rua Liberto Barroso e também na travessa Morada Nova, por trás da Assembléia Legislativa. O quarteirão da rua Liberato Barroso onde ficavam os pontos de bondes, foi aberto após 1934. Os bondes tinham duas frentes, davam tanto de um lado como do outro.
No final da linha, era virada a lança, que contatava os fios, os bancos, ficando o encosto como assento e vice-versa, o motorneiro passava para a outra frente e o bonde vinha na direção inversa, sem precisar fazer manobra.
A
outra foto mostra a odiosa praça construída na gestão José
Walter e data de 1986. Já não existia o Edifício Majestic,
que se incendiou em 1955 e foi substituído pelo Edifício Lobrás,
o Edifício São Luiz com seu cinema já existiam, inaugurado
em 1958, os bondes desapareceram em 1947. No fundo, os edifícios Jereissati,
que abrigou o Hotel Savanah e o Sul América.
A
última foto, atual, mostra uma praça por onde não passam
veículos pela Rua Major Facundo, o "Dudas Burger" atrai com
grande placa. Adiante, a loja Marisa, o cine São Luiz persiste vivendo
seus últimos dias e ao fundo, o Edifício Jereissati (Savanah)
e parte do Edifício Sul América. (ver também textos e fotos
01, 18, 22, 27, 33, 55, 57 e 92).