PRAÇA DO FERREIRA - VISTA PANORÂMICA
Abrimos nosso trabalho com uma visão panorâmica do principal logradouro de nossa Capital durante todo o Século XX, a Praça do Ferreira, que partindo do antiquíssimo Beco do Cotovelo, foi transformada em uma praça que a princípio foi chamada de Feira Nova. Teve também a designação de Largo das Trincheiras; em 1859 Praça Pedro II e depois de urbanizada em 1902 na gestão do intendente Guilherme Rocha recebeu o nome de Jardim Sete de Setembro, que não era na verdade o nome da praça, mas da parte urbanizada, pois antigamente cada praça tinha um nome e seu jardim tinha outro. Em 1881, após a morte do Boticário Antônio Rodrigues Ferreira, a Câmara Municipal deu ao logradouro o nome de Praça do Ferreira em sua homenagem, mas em 1890 o Conselho da Intendência achou por bem retirar os nomes de pessoas de todas as ruas, avenidas e praças da cidade, recebendo as ruas numeração e as praças nomes como a Praça Municipal, novo nome da nossa Praça do Ferreira, mas durou pouco e no mesmo ano volta a velha nomenclatura.
A
vista antiga foi publicada no livro "Brasil", do fotógrafo
Peter Fuss, editado em Berlim com o apoio do Touring Club do Brasil, em 1934
e mostra a Praça do Ferreira vista de cima do Excelsior Hotel no sentido
sudeste, vendo-se, além da Coluna da Hora, bancos e jardins, o canto
do cruzamento da Rua Pedro Borges com Rua Floriano Peixoto, que tem na esquina
a loja "A Cearense", vizinha à Padaria Lisbonense.
Além
da Praça do Ferreira a vista mostra coisas interessantes como - direcionando-se
a visão da esquerda para a direita - vemos as costas do prédio
da Companhia Telefônica, por trás dela um circo armado, a Praça
dos Voluntários com o velho prédio do Liceu do Ceará; mais
ao longe a Igreja da Piedade e o Colégio Dom Bosco; o Colégio
Cearense do Sagrado Coração; a Igreja do Coração
de Jesus; o prédio do Pio X; o mosteiro dos frades capuchinhos; o prédio
da Associação dos Chauffeurs do Ceará; o quartel da Polícia
Militar e mais distante os morros de Paupina, Ancuri e Itaitinga.
A foto atual, tirada do mesmo local, mostra quase o mesmo ângulo já com muitas diferenças, ocorridas nesses 67 anos. Queremos aqui agradecer a gentileza do Dr. Janos Fusezzi Júnior, cônsul da Hungria, herdeiro de Emílio Hinko e residente no 3º andar do Edifício Excelsior, sem a qual não nos seria possível conseguirmos a foto atual do mesmo ângulo da antiga. O fotógrafo foi Osmar Onofre.
As lojas que circundam a praça já são outras excetuando-se a "Leão do Sul", que ali está desde a década de 1920. À distância já vemos pouca coisa, pois os prédios de concreto armado ou "cidade vertical" formam um tapume que nos impede ver o que víamos antes, mas na brecha entre os edifícios vemos ainda a Igreja do Coração de Jesus - que já não é mais a antiga que ruiu em 1957 e foi demolida - e nada mais. Os prédios que nos impedem de ver a paisagem são o Edifício Portugal, que fica no primeiro quarteirão da Rua Pedro Borges; por trás dele o edifício do INAMPS (antigo IPASE), na Praça dos Voluntários; o Palácio da Imprensa (edifício Perboyre e Silva, da ACI), o da Seguradora Brasileira e o edifício Raul Barbosa, que foi sede do Banco do Nordeste de Brasil - BNB (Ver matérias nºs: 04, 07, 09, 18, 22, 25, 27, 33, 48, 49, 55, 68 e 100).
PRAÇA DO FERREIRA DE ONTEM (1940) E DE HOJE (1991)
A
praça do Ferreira em 1850 era apenas um largo de areia frouxa com alguns
cajueiros rodeada de casebres beira-e-bica onde se destacavam apenas os sobrados
do comendador Machado, construído em 1825 e o do Pacheco, de 1831, que
depois foi sede da Municipalidade. O prédio do Ensino Mútuo ficava
na esquina onde hoje fica a Caixa Econômica Federal (ver matéria
e fotos nº 48).
Havia
na praça o "beco do cotovelo", com casas em diagonal, que foi
derrubado por Antônio Rodrigues Ferreira, o boticário que chegou
a governar a cidade como presidente da Câmara Municipal. Por isto hoje
a praça tem seu nome. A praça foi Feira-Nova, Pedro II, da Municipalidade
e é do Ferreira desde 1871.
Em
1902 foi urbanizada pelo então intendente Guilherme Rocha que nela fez
o Jardim 7 de Setembro. Já existiam os cafés nos quatro cantos.
Em 1920 a praça sofreu nova reforma, desta feita na administração
de Godofredo Maciel, que retirou os quiosques e mosaicou toda a praça,
fazendo vários jardins e colocando um coreto sem coberta. Em 1923 foi
colocado outro coreto, este coberto. Em 1933 Raimundo Girão derrubou
o coreto e levantou a Coluna da Hora. Em 1949 Acrísio Moreira da Rocha
construiu o Abrigo Central. Em 1966 José Walter sem
nenhuma
consulta popular derrubou após a derrubada da Coluna da Hora e do Abrigo
Central construiu uma praça grosseira, que foi imposta ao povo que nunca
a aceitou. Depois a praça foi reconstruída em 1991 pelo prefeito
Juraci Vieira Magalhães.
As
fotos são: a primeira é de 1934, quando o Excelsior Hotel e o
Edifício Granito eram novinhos em folha, os bancos da praça eram
extensos, o edifício São Luiz ainda não havia sido iniciado,
funcionando em seu lugar a Casa Amadeu, e o quarteirão da Rua Guilherme
Rocha ainda existia. A Segunda foto é da década de 1940, quando
o edifício São Luiz já estava em construção,
mas o quarteirão da Guilherme Rocha já não existia e o
Abrigo ainda não havia sido construído e os bancos da praça
já eram menores.
A terceira foto é da época da odiosa praça do José
Valter, de caixotes enormes de concreto e foi batida por Nirez; a última
foto é atual, do fotógrafo Osmar Onofre, com a praça de
Juraci Magalhães e a nova iluminação. (Ver matérias
e fotos nºs. 01, 18, 22 e 55).
RUA MAJOR FACUNDO NA PRAÇA DO FERREIRA
A
foto antiga data do inicio do século passado. Mostra uma cidade pacata,
com todas as características de uma cidade de interior, com a tranqüilidade
de seus habitantes e seu comércio com pouco movimento. Ruas calçadas
com pedras toscas, esgotos cobertos com tábuas, trilhos dos bondes de
tração animal, calçadas irregulares tanto na largura como
na altura, ausência do meio-fio, postes de madeira, alguns de ferro, combustores
de iluminação a gás carbônico e ausência completa
de carros.
Trata-se
do quarteirão da Rua Major Facundo na Praça
do
Ferreira, aquele onde hoje fica o cine São Luiz. Na esquina ficava o
"Malson Art-Nouveau", logo após a Agência de Loterias
Nacionais, seguindo-se "O Menescal" e outras lojas que não
é possível identificar na foto. A "Maison" surgiu em
1907, era café, bar, confeitaria além de vender artigos para copa
e cozinha. O proprietário era Augusto Fiúza Pequeno e José
Rola. Foi por trás desta loja que funcionou, em 1908, o primeiro cinema
da Fortaleza, o cinematógrafo do italiano Victo Di Maio. No mesmo local
estiveram depois a "Maison-Riche", o Restaurante Chic, A Pernambucana,
a "Broadway", a Rouvani e hoje está a Tok-Discos.
A
Segunda foto é da praça do prefeito José Walter, quando
ainda havia passagem de carro pela Rua Major Facundo. Nada do que existia na
foto antiga existia mais a não ser o céu e o subsolo, ambos já
bastante poluídos. Já existia a Tok-Discos, seguida de estabelecimentos
comerciais dos mais variados.
A
foto atual, colhida pela objetiva de Osmar Onofre, mostra uma praça bem
melhor que a da segunda foto, com este calçadão para os pedestres
e os postes da nova iluminação. A poluição continua
e por falar em poluição, o centro de Fortaleza está um
inferno em poluição sonora. Além das lojas vendedoras;
de discos, os alto-falantes nas lojas em geral chamando os clientes e os odiosos
carros com serviços de som e o que não entendemos, o serviço
de alto-falantes nos postes com o falso nome de "FM Centro", autorizado
pela Prefeitura que assim rasga o próprio Código de Obras e Posturas.
PRAÇA DO FERREIRA - JARDIM SETE DE SETEMBRO
A
Praça do Ferreira era antigamente o "beco do cotovelo" cortando
o campo em diagonal. O resto era uma grande área de areia de tabuleiro
com alguns cajueiros, rodeado de pequenas casas, destacando-se apenas os sobrados
do comendador Machado e do Pacheco. Nascido em 1801, chega em 1825 a Fortaleza
como caixeiro de Antônio Caetano de Gouveia, o boticário Antônio
Rodrigues Ferreira, que fundou uma botica que era onde o Duda Burgher.
Em 1842 foi eleito presidente da Câmara Municipal e como tal aumentou as ruas de Fortaleza dando-lhes um traçado antes defeituoso.
Acabou
com o "beco do cotovelo" criando a praça que no início
foi chamada de Feira Nova e hoje tem o seu nome. Ele morreu em 1859, sendo sepultado
no Cemitério de São Casemiro, onde hoje é a estação
central da RFFSA, sendo seus restos trasladados em 1880 para o Cemitério
de São João Batista. Em 1871 a praça passou a denominar-se
Praça do Ferreira.
Em
1902 houve a primeira urbanização da praça, com a construção
de um jardim cercado de colunas entremeadas de grades de ferro ocupando pequeno
espaço em frente ao hoje Cine São Luiz. É deste jardim
que trazemos a foto mais antiga, vendo-se, ao fundo, de costas, o café
Elegante, que ficava de frente para o cruzamento da Rua Pedro Borges com Rua
Floriano Peixoto. 
O jardim inaugurou-se no dia 7 de setembro de 1902 e passou a denominar-se "Jardim 7 de Setembro". Era realmente um belo jardim, como pode ser visto na foto.
A Segunda foto é da praça de terrível mau-gosto implantada em 1967 pelo então prefeito José Walter Cavalcante, cheia de blocos de concreto que servia de trincheiras no caso de uma revolta.
A terceira foto é atual e felizmente a administração de Juraci Magalhães em 1991 demoliu o "monstrengo" e construiu a atual praça. (ver textos e fotos 01, 18, 22, 27, 33, 52, 57 e 92).